Futebol é massa

Marketing

 Chega ao mercado o macarrão Ceará Sport Clube, fabricado pelo Grupo Santa Lucia, que produz alguns produtos Nestlé. A empresa segue uma tendência nacional de exploração do marketing esportivo.

O licenciamento de produtos contendo a marca de um time de futebol parece iniciar um processo de profissionalização  e disputa ( além do campo ) entre os clubes cearenses. Em algumas prateleiras e gôndolas há cerca de 10 dias pode-se encontrar p “Spaghetti  Ceará”  cuja embalagem traz faixa alvinegra com emblema do time e o hino do clube.Como motivação da compra é em grande parte aspecto emocional, a dúvida inevitável  é se as torcidas dos times rivais comprariam o Spaghetti Ceará .

Quem analisa é o mestre em administração, especialista em marketing esportivo e ex-direto de marketing do ferroviário, Evandro Ferreira.
“Eu não tenho dúvidas que os torcedores do Fortaleza não vão comprar, mas esse revanchismo já era prevista no planejamento. Eu sou torcedor do Ferroviário e comprarei, mas sou exceção”. Diz Evandro.

O Grupo Santa Lúcia, produtor para o Norte e Nordeste da Nestlé, investiu, segundo seu diretor Alexandre Sales, cerca de R$ 400 mil em uma nova linda de montagem, campanha publicitária e designer de embalagens. “A velocidade do retorno depende do time. O Ceará está no G4 e irá para a primeira divisão. Mas, se  mercado cearense movimenta de massas R$ 100 milhões por ano, e se 52% da população torce pelo time do Ceará, a expectativa é que consigamos atingir logo pelo menos a metade dessa população. Nossa  meta então é de R$ 26 milhões no primeiro ano” declara Alexandre.

Já o presidente do Fortaleza Esporte Clube, Lúcio Bonfim, diz não ter nenhuma preocupação. “Tenho uma pesquisa do Ibope que nos mostra o Fortaleza como maior em torcida. Eles só estão aproveitando um bom momento”, desdenha Bonfim.

O coordenador de marketing do Clube Leonino, Cléber Dias, antecipa até o fim do ano será inaugurada uma loja somente com produtos do Fortaleza, “inclusive notebooks e lâmpadas noturnas”, comenta.

Produção

A linha de produção do Spaghetti Ceará (que é do tipo sêmola) somará as atuais 900 toneladas de massas mensais que saem das máquinas da fabrica em Aquiraz, aproximadamente 1.500 novas toneladas. E, até o final do ano, a terceira linha com mais de 900 toneladas para produzir massa curta ( macarrão parafuso e argolinha e biscoito ).

Evandro explica que hoje em dia a bilheteria é a 5ª ou 6ª fonte de renda do clube. “Direitos de imagem, sócio-torcedores e licenciamento da marca são fontes muito mais fortes de renda. Até hoje não foi utilizado aqui no Ceará por falta de profissionalismo na gestão”, comenta o especialista que ainda cita o Corinthians como referência no processo de licenciamento com quase duzentos produtos licenciados. “Eu acho que a tendência veio pra ficar. Mas é preciso que o projeto, seja tratado como algo no clube, independente do gesto do momento” Adverte Ferreira.

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